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terça-feira, março 17, 2009

Cadência Leve


Listras, Linhas, Pistas
Estranhas vistas de âmbar
Cantam imagens de energias caídas
Lantadas ao som do samba

Batuque das vidas bambas
Que balançam, remechem, encantam
Escorregando, mas sem cair pelos cantos
Andando e daclamando sobre a vida dos que amam.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Noturno


E lá...

Lá fui eu

Sem olhar chuva

Em direção ao breu.


Me vi em escuridão

E aí sim percebi sentindo...

Imensidão.


Tenho medo do escuro?

Não.

E de mim?

Só quando não me escuto.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Sentir, Encontrar, Sorrir


Tente entender, meu ser é não ser
Nada disso que se vê, mas tudo que se sente
Então tente entender, pois o que sinto é querer

Não aqueles que se vê em qualquer lugar, por conta da superfície
É algo que veio quando olhei sua alma quando me disse:
É estranhos sermos tão próximos assim.

E isso tudo é o que a visão oculta
E mesmo assim o coração brilha na penumbra
tentando achar um brilho semelhante
que de perto reflete o seu semblante...
aquele que busco todos os dias.

terça-feira, novembro 04, 2008

Me Vê


Me vê? Talvez eu nem exista
Seja algo insista em viver... morrendo.
Mas tudo isso é pura desculpa,
Lágrima de quem procura alento.

Atento e aéreo, tento capturar o vento
Tão livre e preso quanto eu,
Nascido de ventre negro, trabalhador, mas sujeito... ao meio
Que nos joga tanta coisa que nunca tinhamos feito.

E então, me vê?
Não com os olhos deles, mas o seu
Aquele que me olhou da primeira vez, me abraçou
Aquele olhar que te fez esquecer
Dessas diferenças de hoje, de qualquer ser...

Me vê?

domingo, outubro 26, 2008

Transbordamento de Tudo


Eita alma!
Não se acalma nunca
Nem quando sobra tanta falta
Nem quando a vida afunda

Inunda todas as saídas e contrai os pulsos
Parecem querer sair do corpo
Que dança em movimentos confusos!
Desenho torto de traço solto

E de tanto guardar, explodiu
Deixando pedaços de mim em tudo
Um andarilho, piso de chão avulso
Que de tanto chorar, olhou pra frente e riu.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Tardia Memória


Se lembra... ou não?
Somos tão sãos quanto os santos
Amparados de mantos
Que são quase chão.

O que temos em nossas mãos é presente
Futuro constante inconsciente
No instante inseguro da mente
Que faz com que o passado se movimente

Mas pra que tanto... lembrar?
O que vemos é fato
Afetado, bem além do tato
E nos faz... sorrir e chorar.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Cadê a vida, Cadê a cor


Ando meio assustado
esse mundo tá pardo,
igual papel de pão usado.

Na vitrine eu vejo tanta coisa...
Tanto barulho pra nada.
Cadê nossa imaginação, que não mais coita?
Cadê a nossa empolgação ao sentir a madrugada?

É tanto ouro que a grama vai secando
E nos mostrando todo o final,
Que construimos no gerúndio: Acabando
Morrendo por coisa tão banal.

Ando meio assustado
esse mundo tá pardo,
igual papel de pão usado.

Cadê os lápis pra colorir esse papel?

.

sábado, setembro 27, 2008

Garoto Estranho


Entrou na vida e se sentou,
incomodado com o mormaço, falou:
- Como podem viver assim? Quero calor, mas de outra forma!
e então responderam:
- Olhe ao redor, filho, todas as formas possíveis.
Aí então a mente acorda...

E tinha tanto a falar, mas calava
E tinha tanto a sentir, mas anestesiava
Tinha tanto a sorrir, mas chorava
Tinha a vida que quis, mas definhava...

Com vagar tentou se erguer
Levantando a bandeira do saber
Saber que tudo é bom e ruim
saber que o início também tem fim

E se o vir por aí, vai olhar a alegria e tristeza contrastando
como duas faces de um velho pano
usado pra secar o rosto e seguir em frente
Bem além do poder da mente, que mente ser só imaginária...

Sem me Preocupar


A alma almeja a boca cheia
De palavras com calma ao perder as estribeiras
e cavalgar tanto pra que o nada se ache
na etlicidade da embriaguês, algo que te arremate

O abate ainda não foi feito
No leito do ser ainda está o peito
que bate com inconstância
nos lapsos e voltas nas lembranças

Voam, ecoam, sopram no mar
E o olhar que viu tudo isso, se estarrece
enriquece a vista de tanto amar
e se cega no vício que cresce...

...vício que eu tenho, de ir sem me preocupar.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Dança de Salão


Na mesa de um salão, sentado
Calei meus pensamentos pra ouvir teus passos
De longe a dança parecia chegar a mim
Devagar me colocando em um transe que me lembro que vivi

Vivi e amei
Nos tangos e voltas de bolero,
valsas com sorrisos sinceros
embriagados por tanta agradabilidade

E de tudo isso tirei um passo novo
dois pra lá, dois pra cá e sigamos em frente
Pois o que eu sinto ainda queima como fogo

e se tudo aqui dentro é tão quente
temos que sair pra respirar o frescor de um estorvo
marcado pela paixão de duas pessoas, mas só uma mente.

Mormaço

Amasso um papel e sinto um trago
Traz a morte de um chão
Que faz o rico ficar escasso
Descaso dos acasos e do não
Não quero, não posso não faço
Mas se fizesse o papel virar árvore
A poesia não seria um cigarro
E sim o formigamento do corpo diante da vida.

quarta-feira, agosto 20, 2008

noite mal-dormida


Aqui em mim tenho você
e isso me incomoda
porque o interno não é externo
não quero só sentir, quero ver

Ver, tocar, cheirar, ouvir
ouvir os passos
cheirar a pele
tocar os lábios
ver desejo

anseio de uma noite mal-dormida.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Caminhada


O dia vêm depois da noite
E nos mostramos fortes pra vencer
mas será que agüentaremos o açoite?
A vida é mais dura do que se vê.

Depois de séculos na memória
Um instante a mais é sempre uma chance
Estamos correndo pra vencer o tempo, a hora
Nossa determinação será nosso ângulo de alcance

E quem achava que não poderiamos lutar mais?
Todos iram cair, e terão que se redimir
Zumbi ainda não morreu no meu peito

O que eu sei hoje é que sem justiça, não existe paz
E sem exitar, iremos properar e resistir
Até que todos sejam iguais em todos os meios.

Porque a noite me cai bem


Porque a noite me cai bem?!
Ela é escura e nua
Porém esconde segredos
Bem maiores que a Lua.

Patriota


Patriota?!
Patriota?!
Esse povo acha que somos idiotas!

Patriota?!
Patriota?!
Eles são os que esconderam nossa história!

Patriota?!
Eles omitiram nossas vitórias pra pensarmos em derrotas!
Patriota?!

Eu não! Sou de outro canto
O canto dos meus ancestrais
Que não morrerão jamais
pois continuarei panafricano
e lutarei
até o fim
que não vai ser agora.

Agora não!

terça-feira, julho 22, 2008

Febre Fria


Parece tudo vago
Como as pessoas a andar
Ponho a sopa no meu prato
pra ver se passa a febre que sinto


E ao caçar a cura pra tanta dor
Vejo que o frio me toma
E aquele fervor
Parece mais o meu rancor da vida

Que estranho isso,
Mas tão familiar quanto o vinho
Perambulando pelo sangue
E recriando tudo o que sinto

Minto ao pensar que estou doente
Pois o que a gente sente
É uma vontade gritante
de viver intensamente

Cotidiano


Todo dia não sabemos o que esperar
E mesmo assim supomos o óbvio
Mas sempre fica no ar
Aquele ócio que queremos nos livrar

Livrar, nos livros que lemos
Conversas que temos
Gargalhada que damos

E mesmo conseguindo desse jeito
Parece que nada mudou.


Então lutamos, caímos, levantamo-nos
Esperando que o suor se materialize
Mas não esperando que o sonho se realize.

segunda-feira, junho 30, 2008

O dilema de Ícaro


Entre escombros e vidro, cá estou
A vida continua e o que contruí desabou
Tomou o rumo de uma pedra, que tende a descer
Talvez morta, mas quem irá saber?

Um dia resolvi me jogar e tentar voar
Minha vida é de pedra
Mas meus sonhos são asas, que planam e planejam no ar
Quem me fortalece não vai ver minha queda

Asas de pedra não parecem voar
...e vidas de penas no sol irão queimar
.

domingo, junho 29, 2008

Catálise da Catastrofe


Os versos aqui
São o que um dia fui
E o que posso sentir
À respeito do que está prestes a ruir

Em cada estrofe uma catástrofe constante
Na imensidão de um momento distante
Que chega perto da vista
Mas se afasta da vida

E de tudo isso tiramos o que nos é útil
Mas o que significa utilidade?
ferramenta de bondade ou maldade
Só quero não ser nenhum usado pra coisas fúteis

E daí sim posso fazer a catálise de quem sou
sem propósito pra ninguém,
só a vontade de viver.

domingo, junho 22, 2008

Pluma



Sabe aquele menino triste?
É parte de você
Deixe o crescer e vai ver
que a alegria não é nada perto da dor que persiste

E aqueles dia de névoa laranja
Rastro do sol que você sempre quis ver
talvez sejam só lembranças
esperanças que morrem pelo dia que vai e volta sem saber

E por enquanto o melhor parece se afastar
mas está do lado
E é com força que levo esse sorriso no rosto
e a apatia como fardo

Caindo em sono, sonho profundo
que só se pode dividir ao acordar
mas como ninguém parece se importar
quero estar aqui, sonhando acordado
uma pluma de anjo em meio ao mundo.